segunda-feira, 28 de abril de 2014

Menino da Praia





Segura o anzol e segue à praia
Cutucando as pedras, pegando siri
Nas noites de lua às croas não falta
Pega o gatapu, aqui e ali

De volta da praia, bodoque na mão
Persegue as rolinhas, persegue o anu
Vai aos cajueiros descastanha tudo
Assa as castanhas e chupa o caju

Nas noites de escuro, de calção, sem mais nada
Ele furta os cocos, as romãs, as mangas
Se esconde, se espalha e grita: Já é.
Se achado, o pau canta. É hora da manja

Nas noites de festa, roupinhas mirradas
Vai ao bumba-meu-boi ou ao pastoril
Balaio na cabeça, ou cesta no braço
Vendendo castanha, laranja e alfinin

Não vai à escola, trabalha cedinho
Dos pais nada espera, na infância dá duro
Balaio na cabeça, se vai à salina
Meio-dia descansa. Come mel de furo.

José Lopes



2 comentários:

Élys disse...

Gostei muito! Uma poesia escrrita de forma bem regional.

Anete disse...

Zui, gostei da poesia Menino da Praia... Uma reflexão! Vida livre e incerta...

Abraço

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