segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Coqueiro Solitário



Aqui testemunhei  todos batizados
Também daqui eu vi os que se foram cedo
No embalo da brisa que é meu sono
Acordo. Vejo o progresso, tenho medo

Aqui nasci há muitos longos anos
Sou filho de uma era já passada
Desde pequeno, olho, vejo o mar
Onde a lua se reflete prateada

Acompanhado dos outros meus congêneres
Sempre vivi e nunca fui lembrado
Mas eis que surge o machado e de repente
Fico só, me sentindo abandonado

Gostaria que Deus me fosse servido
Que eu crescesse e crescesse muito mais
Voltar a ver o mar e a lua em paz

Se é crime matar, por Deus piedade
Embora não sendo humano, tenho alma
Que não fala, não pensa, mas que lembra
Sou história, me deixem, tenham calma

José Lopes 

Um comentário:

Élys disse...

Um belo poema, muito bonito e criativo.
Beijos.

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