sábado, 15 de junho de 2013

Lia de Itamaracá



Tinha então 14 anos e corriam mansos na Ilha os idos de 1961. Por esse tempo, apareceu em Jaguaribe uma jovem esbelta e loura _ Dona Terezinha Calazans. Lia era empregada de Santino de Barros. Dona Tereza _ Teca, na intimidade _  foi morar perto, exatamente no nº 260. Uma casa modesta, a poucos metros da mansão do velho Santino. Um arruado com algumas construções em alvenarias, a Igreja, o "veraneio" dos Irmãos Maristas e uns poucos casebres de palha, onde moravam pescadores. Exatamente a dois quilômetros do Pilar. Os Barros foram informados, dias depois, que Teca era uma pesquisadora do folclore brasileiro. Pioneira de um expediente hoje comum entre os "monstros sagrados" da nossa música popular. Viera em companhia da jovem Socorro Fontes para um descanso de uns vinte dias. Se sua bagagem pessoal não primava pela quantidade de roupa, certo é que era farta em instrumentos musicais, gravadores, fitas magnéticas e tudo o mais indispensável ao cômodo ofício da "pesquisa" musical.

Maria Madalena Correia do Nascimento, a Lia, não se lembra mais ao certo quantos dias dona Terezinha Calazans, a Teca, ficou em Jaguaribe. Talvez, segundo as más línguas, o tempo suficiente para reunir num compacto duplo uma coletânea das melhores cirandas que a "massa ignara" costumava cantar nas várzeas, nas festas de São João e do Natal.

E, com efeito, meses depois Teca apareceu com o seu novo disco, por sinal uma das melhores coisas já "pesquisadas" no gênero. Não seria para menos, pois tirou do bolso o naco mais substancioso.

(História e Segredos de uma Ilha, José Lopes)



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